Resenharia


SOUTHLAND TALES – O FIM DO MUNDO
setembro 29, 2008, 7:34 pm
Arquivado em: Filmes | Tags: , , , ,

Southland Tales – O Fim do Mundo

Direção: Richard Kelly

Roteiro: Richard Kelly

Gênero: Comédia/Drama/Ficção Científica

Duração: 144 minutos

Trailer:

Southland Tales é o segundo filme que Richard Kelly, responsável pelo cult Donnie Darko, dirige. Em Cannes, foi muito mais vaiado que aplaudido, e a Sony impôs que o longa tivesse sua duração diminuída. Faz sentido: o filme, que possui mais de duas horas (mesmo após a edição), apresenta uma trama complicada que se desenvolve lentamente e acaba sendo um teste à paciência do espectador. Apenas depois de uma hora os fatos começam a ser mais dinâmicos e as relações entre os inúmeros personagens um pouco claras.

Em 2005 um ataque nuclear destrói parte do Texas e o governo americano passa a intervir na liberdade da população. Três anos depois, Boxer Santaros (The Rock), um famoso ator ligado ao partido republicano, é encontrado no deserto sem memória. Ele passa a viver com a ex-atriz pornô Krysta Now (Sarah Michelle Gellar), com quem escreve um roteiro que revela o que acontecerá na realidade futura. Enquanto isso, um grupo revolucionário “neomarxista” tenta acabar com a ditadura através de métodos violentos, e um policial (Seann William Scott) se envolve em uma grande conspiração. Cabe a Abilene (Justin Timberlake), um veterano da guerra do Iraque, narrar de uma perspectiva distante este iminente fim do mundo.

Trata-se, em resumo, de uma crítica aos Estados Unidos pós 11 de setembro em um roteiro totalmente ambicioso e não-funcional. Belicismo e totalitarismo são tratados de forma satírica e jogados no liquidificador junto à indústria pornográfica, viagens no tempo, outras dimensões (lembrou Donnie Darko?), teoria da conspiração, crime e castigo, algumas boas sacadas e uma trilha sonora excelente. O resultado não poderia ser outro: seqüências que hora causam estranhamento, hora irritação, e que, em alguns raros momentos, trazem tomadas surreais que chegam a lembrar David Lynch.

Assim como em seu filme anterior, Kelly utiliza a música como complemento aos diferentes climas vividos no filme, e é justamente quando isso acontece que Southland Tales traz lampejos de genialidade. Justin Timberlake chapado cantando The Killers é algo que vale a pena assistir. Radiohead e Pixies também figuram na trilha, o maior acerto do trabalho.

O elenco duvidoso até surpreende. Os personagens demonstram saber que há algo muito errado nas situações que vivem, e isso acaba sendo muito mais cômico do que as piadas sexuais que têm tanto destaque. Entretanto, a impressão final é mesmo de que a pretensão de fazer uma obra grandiosa subiu a cabeça do diretor, que se perdeu ao tentar reunir todas as idéias que teve. A enorme quantidade de informações confunde e esconde a crítica proposta, e ela passa a ser apenas um pano de fundo para as loucuras bipolares de um megalomaníaco.


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