Resenharia


Only by the Night
Outubro 8, 2008, 2:44 am
Arquivado em: Álbuns | Tags: ,

01. Closer

02. Crawl

03. Sex on Fire

04. Use Somebody

05. Manhatan

06. Revelry

07. 17

08. Notion

09. I Want You

10. Be Somebody

11. Cold Desert

 

 

 

Quando a organização do Glastonbury anunciou que o Kings of Leon seriam headline da edição 2008, a imprensa inglesa especializada em música anunciou logo de cara: seria A Grande Chance dos irmãos (e do primo) Followill.

            Seria a chance do grupo finalmente se tornar uma das grandes bandas do planeta, já que, até aquele momento, e devido ao rótulo de “Strokes caipiras”, tanto imprensa quanto grande parte do público ligado em rock viam KOL como uma banda boa, mas limitada. E eles conseguiram se tornar essa grande banda. No álbum Because of the Times.

            Bom, essa é uma resenha sobre o Only by the Night, mas é crucial falar dos outros álbuns para entender o que está se falando dessa obra mais recente. O penúltimo álbum (BOTT) é que foi o grande responsável pela expansão da banda, pois levou os “caipiras americanos” ao topo das paradas britânicas, além de mostrar um rock mais complexo e original. As músicas realmente eram “maiores”, possuíam uma sonoridade mais evoluída. No entanto, os créditos para o amadurecimento da banda tem ido para o último disco do grupo, o que é um equívoco.

O Only by the Night realmente veio para consolidar o Kings of Leon como uma das grandes bandas da atualidade, pois reafirma diversas virtudes: a banda continua amadurecendo em alguns aspectos, o que se pode notar em músicas mais ricas e bem arranjadas, além da voz de Caleb soar mais clara e melódica. Os arranjos também são mais complexos.

 No entanto, o OBTN, repleto de baladas, em nada lembra os tempos de Youth and Young Manhood, que mostraram KOL para o mundo como uma banda que fazia rock como ninguém. Os “strokes caipiras” eram na verdade muito mais que isso. O rock do primeiro e do segundo disco já mostravam uma banda fora de série. Por exemplo, muito se houve falar do “amadurecimento” da banda, mas poucas músicas são mais maduras do que Trani, faixa do primeiro álbum da banda. Trani é uma música com maturidade na letra e na melodia, e não é a toa que Bob Dylan disse “that’s a hell of a song”.

 

 

No segundo álbum, Aha Shake Heartbreak, já vemos a banda saindo um pouco do estigma de caipiras, mas continuam com a mesma qualidade e pegada, além do crescente entrosamento da banda e domínio de cada membro sobre seus instrumentos. Slow night, so long, faixa de abertura é o resultado de tudo isso.

Enfim, o Because of the Times. O álbum que levou o KOL ao topo das paradas britânicas e simbolizou uma nova banda. Era um rompimento com os primeiros CDs, devido à sonoridade. Charmer, On call, McFearless e outras faixas evidenciavam novas influências e uma expansão de horizontes, o que resultava em uma banda mais original e com mais potencial. Não é a toa que foi um grande sucesso de crítica e público.

E então, os caras barbudos de Nashville chegaram à Glastonbury. Praticamente ignorando o trabalho mais recente do grupo, a imprensa declarou que aquela era a chance deles se tornarem grandes. O resultado foi além do esperado: o show foi incrível, e, para aproveitar a onda, a banda lançou prematuramente seu quarto álbum, o Only by the Night. O disco dominou as paradas, tanto de singles, como de álbuns e de downloads.

 

 

 

O que acontece é que, ao contrário dos outros discos da banda, o OBTN não agrada em sua totalidade. O disco é de fato bom, tem o hit Sex on Fire, tem baladas pop, tem a música experimental Closer, que é maravilhosa. Mas falta alguma coisa. O disco já não é tão original e mostra uma banda mais acomodada. Use somebody deveria ter sido feita pelo U2, ou alguma banda mais pop ainda, e não pelos caipiras de Nashville. Notion é uma excelente música, mas no início temos certeza de que se trata de uma faixa do The Killers, e por aí vai. Em suas baladas, o álbum cai na mesmice.

Seria cruel dizer que esse é o pior álbum do grupo, até porque se trata de um grande disco, mas é verdade que os três primeiros discos são melhores. O que se vê é uma excelente banda, mas que tomou um rumo que parece já ter sido trilhado por outros grupos, enquanto o álbum anterior, o Because of the Times, mostrava uma sonoridade única e um caminho mais promissor.

 


4 Comentários até o momento
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assino embaixo…..estou na expectativa que eles percebam que o bom e velho rock n’ roll “strokes caipira – new creedence” é a verdadeira bandeira que eles devem erguer…..

Comment por PatricK

Achei o blog não sei como, mas respeitei pelo post absolutamente verdadeiro.
Para mim o segundo melhor CD de 2008, só perdendo por muito pouco para o novo do Beck…
Bom blog, parabéns!

Comment por ju

escreve outra coisa

Comment por karina

realmento OBTN deixou a desejar, não tem mais nada do rock sulista do 1 e 2 album, e ainda perdeu a o som mais experimental do because of the times, “use somebody” parece trilha de filme tipo “rock o lutador” ou “top gun”

Comment por maiconscarnox




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