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1. Dark as Days
2. My Thin Sides
3. Saints
4. Slight of Hand
5. Unresponsive Ears
6. Snakes of Hawaii
7. Ignite
8. Pocket Boys
9. Jail Is Fine
10. In the Lime
11. Golden Pony
12. Right Back Where We Started From
O Army Navy é daquelas bandas para todas as idades, para todos os locais e para todos os momentos. No Myspace, a descrição de seu som é curiosa, mas não diz muita coisa Indie / Chinese pop / Happy Hardcore. Na prática, seu autointitulado álbum de estreia traz o powerpop por excelência, nos mesmos moldes que Teenage Fanclub fazia nos anos 90: distorções leves, arranjos de guitarra bem trabalhados em cima de acordes abertos e simples e melodias vocais alegres com apoio de muitos backing vocals.
A fórmula é batida, mas a maneira como este quarteto de Los Angeles entoa as 12 canções do disco contagia. Até mesmo Ignite, a mais pacata do compacto, deixa qualquer um que possua o mínimo de interesse por música pop batendo o pé no chão e balançando a cabeça. A voz aguda do vocalista Justin Kennedy funciona como um complemento aos riffs e dedilhados de guitarra e vice-versa, e ambos são carregados pela levada hora continua, hora variada do baterista Doug Randal.
Mas se a música do Army Navy é animada e dançante, as letras são um caso totalmente diferente. Chega a soar estranho ouvir exclamações como “What a miserable life!”, em Jail is Fine, para segundos depois se deparar com uma parede de guitarras que, se tivesse cor, seria totalmente colorida. E se falta otimismo no que Kennedy escreve, sobra sinceridade, ou ao menos é que o compositor faz transparecer. Em My Thin Sides, a música de trabalho do grupo – que conta com um tragicômico videoclipe -, ele parece cantar conformado as ambiguidades do amor. “Come to see me as I’m always wrong / I will leave you and delete your songs / You’ll always be the one that wakes my tired eyes / Always be the one I shy away”.
A produção é de Adam Lasus, que já assinou discos do Clap Your Hands Say Yeah e Yo La Tengo, e não deixa a desejar. Antenado ao propósito da banda, deixou as vozes em um plano bem mais destacado que os instrumentos, e o resultado permite que até o menos fluente no inglês entenda as frases recheadas de simplicidade que Kennedy dispara ao longo do disco.
Neste mesmo espírito, Right Back Where We Started From fecha a sequência que não decepciona da primeira à décima segunda canção. Trata-se de uma versão para um clássico da disco-music dos anos 70, de Maxine Nightingale. Mais rockeira que a original e sem outras grandes mudanças, uma escolha pertinente.
Entretanto, o grande destaque vai mesmo para “Saints”, exemplo de música pop perfeita, com guitarras inspiradíssimas e um refrão para animar qualquer pista de dança, que termina categórico: “Believe me when I call and I say / The next girl that I love won’t be a saint / Now go away /”. Nada excepcionalmente novo, mas uma excelente celebração ao powerpop.
Filed under: Álbuns | Tags: 2008, Forth, glastonbury, Love is noise, nick mccabe, resenharia, richard ashcroft, sit and wonder, The Verve, urban hymns

01. Sit And Wonder
02. Love Is Noise
03. Rather Be
04. Judas
05. Numbness
06. I See Houses
07. Noise Epic
08. Valium Skies
09. Columbo
10. Appalachian Springs
“Love is noise / Love is pain / Love is this blues that I’m singing again”
Uma década se passou desde que o The Verve viveu seu auge e sua queda: Urban Hymns (97) é um dos maiores e mais significativos álbuns do chamado britpop. Foi ele quem elevou os músicos de Wigan ao estrelato definitivo, conquistando a Europa com os singles Lucky Man e The Drugs Don’t Work, e ganhando os ouvidos do mundo inteiro com a já clássica Bittersweet Symphony. Mas se foi este o momento em que a psicodelia e o pop melhor se encontraram através do vocalista Richard Ashcroft e dos barulhos arranjos do guitarrista Nick McCabe, o álbum também culminou com o fim da banda, desgastada por brigas internas em meio ao sucesso.
O aguardado Forth, nas lojas desde o mês passado, é seu primeiro trabalho desde então. Não se trata exatamente de uma novidade, mas sim de uma afirmação. O The Verve repete a fórmula que deu certo nos anos 90, dosando com precisão cirúrgica loucura com sanidade e trazendo a melancolia como um elemento essencial a essa composição. A esquizofrenia da guitarra de McCabe – grande responsável por trás da atmosférica dramática que envolve as 10 faixas do lançamento – parece completar cada frase desanimada que Ashcroft canta, enquanto baixo e bateria retratam o contexto triste em que os dois estão inseridos. Mas é uma tristeza bonita e ocasional, como o restante da discografia dos ingleses, que nunca gravaram um CD para ser escutado em comemorações ou eventos. E, onze anos após Urban Hymns, a cena se repete: o ouvinte está sozinho no quarto, cantarolando baixinho o barulho e a dor outra vez.
Love is Noise, primeiro single de Forth, é o momento em que o panorama muda um pouco. Com uma levada mais rápida, a música apresenta uma outra abordagem a esse cenário, trazendo um questionamento em relação à vida no mundo contemporâneo. Funciona, e funciona muito bem. Love is Noise está há semanas nas primeiras colocações das paradas britânicas e foi um dos grandes destaques no show da banda no Glastonbury, apenas uma semana após o single ter começado a tocar nas rádios.
Embora as características sejam basicamente as mesmas durante todo álbum, este está longe de ser repetitivo. Os detalhes nos arranjos aparecem em maior ou menor quantidade, dependendo da tensão existente em cada uma das músicas, fator que determina também o destaque para os instrumentos. Ao longo dos 8 minutos de “Noise Epic”, por exemplo, a técnica de cada um dos membros é ressaltada de acordo com o andamento da melodia, que ganha diferentes climas até chegar no trecho mais surreal do disco, onde a apoteose instrumental só termina com a súplica “wake up, wake up, wake up!”
Já “Valium Skies” segue um padrão mais convencional, com a guitarra menos poluída e o refrão radiofônico. O objetivo é atingido com êxito, lembrando as baladas mais populares da banda. Outra faixa que deve ser mencionada é “Sit and Wonder”. Na letra, um desolado Richard Ashcroft pede que seu caminho seja iluminado enquanto o restante do Verve se encarrega de proporcionar a mesma sensação a quem os escuta, que tende a sentir um deslocamento, seja físico, sentimental ou racional.
Por mais que a banda já tenha entrado para a história por seus outros trabalhos, Forth tem seu valor significativo para a música. É representativo quanto ao “modelo The Verve” de compor, mostrando a originalidade e fidelidade do som do grupo – que não é fácil de ser digerida. E, mais que isso, prova que uma década depois, totalmente deslocados das tendências do rock dos anos dois mil, o quarteto formado em Wigan ainda soa atual e tem qualidade a oferecer.