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01. Sit And Wonder
02. Love Is Noise
03. Rather Be
04. Judas
05. Numbness
06. I See Houses
07. Noise Epic
08. Valium Skies
09. Columbo
10. Appalachian Springs
“Love is noise / Love is pain / Love is this blues that I’m singing again”
Uma década se passou desde que o The Verve viveu seu auge e sua queda: Urban Hymns (97) é um dos maiores e mais significativos álbuns do chamado britpop. Foi ele quem elevou os músicos de Wigan ao estrelato definitivo, conquistando a Europa com os singles Lucky Man e The Drugs Don’t Work, e ganhando os ouvidos do mundo inteiro com a já clássica Bittersweet Symphony. Mas se foi este o momento em que a psicodelia e o pop melhor se encontraram através do vocalista Richard Ashcroft e dos barulhos arranjos do guitarrista Nick McCabe, o álbum também culminou com o fim da banda, desgastada por brigas internas em meio ao sucesso.
O aguardado Forth, nas lojas desde o mês passado, é seu primeiro trabalho desde então. Não se trata exatamente de uma novidade, mas sim de uma afirmação. O The Verve repete a fórmula que deu certo nos anos 90, dosando com precisão cirúrgica loucura com sanidade e trazendo a melancolia como um elemento essencial a essa composição. A esquizofrenia da guitarra de McCabe – grande responsável por trás da atmosférica dramática que envolve as 10 faixas do lançamento – parece completar cada frase desanimada que Ashcroft canta, enquanto baixo e bateria retratam o contexto triste em que os dois estão inseridos. Mas é uma tristeza bonita e ocasional, como o restante da discografia dos ingleses, que nunca gravaram um CD para ser escutado em comemorações ou eventos. E, onze anos após Urban Hymns, a cena se repete: o ouvinte está sozinho no quarto, cantarolando baixinho o barulho e a dor outra vez.
Love is Noise, primeiro single de Forth, é o momento em que o panorama muda um pouco. Com uma levada mais rápida, a música apresenta uma outra abordagem a esse cenário, trazendo um questionamento em relação à vida no mundo contemporâneo. Funciona, e funciona muito bem. Love is Noise está há semanas nas primeiras colocações das paradas britânicas e foi um dos grandes destaques no show da banda no Glastonbury, apenas uma semana após o single ter começado a tocar nas rádios.
Embora as características sejam basicamente as mesmas durante todo álbum, este está longe de ser repetitivo. Os detalhes nos arranjos aparecem em maior ou menor quantidade, dependendo da tensão existente em cada uma das músicas, fator que determina também o destaque para os instrumentos. Ao longo dos 8 minutos de “Noise Epic”, por exemplo, a técnica de cada um dos membros é ressaltada de acordo com o andamento da melodia, que ganha diferentes climas até chegar no trecho mais surreal do disco, onde a apoteose instrumental só termina com a súplica “wake up, wake up, wake up!”
Já “Valium Skies” segue um padrão mais convencional, com a guitarra menos poluída e o refrão radiofônico. O objetivo é atingido com êxito, lembrando as baladas mais populares da banda. Outra faixa que deve ser mencionada é “Sit and Wonder”. Na letra, um desolado Richard Ashcroft pede que seu caminho seja iluminado enquanto o restante do Verve se encarrega de proporcionar a mesma sensação a quem os escuta, que tende a sentir um deslocamento, seja físico, sentimental ou racional.
Por mais que a banda já tenha entrado para a história por seus outros trabalhos, Forth tem seu valor significativo para a música. É representativo quanto ao “modelo The Verve” de compor, mostrando a originalidade e fidelidade do som do grupo – que não é fácil de ser digerida. E, mais que isso, prova que uma década depois, totalmente deslocados das tendências do rock dos anos dois mil, o quarteto formado em Wigan ainda soa atual e tem qualidade a oferecer.